Ele – o produtor teatral

Por Admir Calazans *

Todo espetáculo precisa de um “caminhão” de ações para sua realização. Para que tudo corra da melhor forma, precisamos urgentemente falar de uma figura imprescindível no Teatro: o produtor.

Uma peça idealizada por esse profissional faz com que ele, primeiramente, escolha um texto para a montagem. A escolha deve ser levada com muita delicadeza e responsabilidade, já que tudo que vier daí pra frente terá esse texto como parâmetro – e organização é livro de cabeceira para um produtor.

O texto, teatral ou não, é de autoria de uma pessoa, o que gerará a compra ou cessão dos direitos autorais. Pode ser também texto em domínio público. Mas para conseguir os direitos autorais há de se pagar por isso, ou seja, ao autor, agente ou o detentor dos direitos do autor. Olha só a responsabilidade! Não recolhendo essa taxa, o espetáculo não poderá circular nos teatros com caixa pagante e em festivais de teatro. Já para textos em domínio público deve-se consultar a validação.

Pois bem. Texto escolhido, hora de encontrar o comandante da peça, o olhar maior – o diretor. Há casos em que o diretor e o produtor são a mesma pessoa, mas nunca deve ser regra. Geralmente, nas pequenas produções, isso é comum. E temos ainda o encenador – o olhar acima do diretor.

De volta à questão financeira, o dinheiro é fundamental para tocar o projeto. Assegurar formas de investidores e apoiadores é imprescindível. Há espetáculos que têm dinheiro, outros não – e temos que nos virar, é claro, para acharmos uma solução que traga dinheiro (projetos menores). Projetos grandes atraem investidores porque pode lhes render uma imagem positiva. O produtor faz esse papel, o de vender o espetáculo. Projetos pequenos também atraem investidores em busca de uma imagem positiva, por isso é preciso que o produtor acredite nisso.

O produtor deverá escolher um local para os ensaios e um local apropriado para as apresentações. Se for teatro-sala-tradicional, deve ver preços, horários, segurança, histórico do teatro, acessos, qualidade acústica, qualidade técnica. Se for outro local, tipo espaço alternativo, deve verificar com a Prefeitura todas as questões necessárias.

Na escolha do elenco, o produtor também está lá. Bem, se ele for o cicerone com certeza estará. Muitas vezes,  porém, essa função pode ser delegada ao diretor. O elenco é fundamental para o sucesso da peça. O ator é a liga da comunicação. A equipe técnica da casa nem sempre estará disponível, portanto, é preciso contratar. Do iluminador ao bilheteiro, é o produtor que dá o seu pitaco, mas nem sempre ele cuida do trabalho dessas pessoas; para isso terá que ter um auxiliar.

Bem, texto e espaço escolhidos, diretor, elenco e técnicos aprovados – hora de começarem os ensaios. Lá vem um cronograma detalhadíssimo, com ensaios, provas de figurinos, cenários, maquiagem e capacidades técnicas e cachê. Caso contrário, muda tudo. Ensaios diminutos e ausência de cachê.

O que não pode faltar é o comprometimento ímpar de todos os envolvidos em um espetáculo teatral. O amor à arte deve prevalecer.

A peça estreou. Tudo saiu como planejado na pré-estreia para convidados (é um “senhor” trabalho isso, avisar os convidados, locais reservados, não esquecer ninguém etc.). Agora é não se ausentar da temporada porque, acredite, podem aparecer muitos problemas para resolver. Fazer um cronograma é de suma importância.

Outro quesito básico: divulgação! Espetáculo teatral tem que ter público. É preciso rebolar, rebolar, rebolar, como já dizia Elza Soares. Use e abuse de todos os artifícios ao seu redor para divulgar o trabalho. Mantenha a equipe antenada e bem paga, assim como os investidores informados sobre o andar do espetáculo. Faça relatórios. Cuide de seu público e faça valer cada minuto de tanto esforço e trabalho.

Parabéns, produtor – você é o cara!                                      

Um livro para ler


A Arte Secreta do Ator

Uma bíblia da arte.

Eugênio Barba é um mestre e o livro é um manual para atores e não atores.  É fantástico!

Leia e depois me conte. *Admir Calazans, ou Dimi, é ator, diretor, produtor e professor teatral (apesar de se considerar um eterno aprendiz) e virginiano.

Ama música e vôlei, adora conhecer e reconhecer pessoas e acredita fervorosamente na humanidade, mas não tem paciência para falta de educação e gente que acha que é a bala que matou Kennedy.

Para contatos, dúvidas, conversas & indagações, billybrazuca18@yahoo.com.br ou www.facebook.com/admir.calazans

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