Ouça inédita e leia entrevista: "Precisamos impedir que destruam nosso futuro", diz vocal da Ootblue - Kultme

Ouça inédita e leia entrevista: “Precisamos impedir que destruam nosso futuro”, diz vocal da Ootblue

Out of The Blue: rock generosamente sincero

Out of The Blue: rock generosamente sincero

 

A banda Out Of The Blue, de Limeira, lança em formato físico e digital dia 25 de agosto o EP Knockout. Com cinco faixas inéditas, o disco chega coisa de um ano após o álbum de estreia, “Let’s Talk About Dreams”. O trabalho do quarteto – formado por Mauricio Sadalla Bucci, Markinhos Cardoso, Leandro “Preu” Bosqueiro e Ari Barbosa – ganhou músculos e, principalmente, coesão, como conta, na entrevista a seguir, o vocalista Maurício Bucci. Mas, antes de ler, com certeza você vai preferir apertar o play e ouvir, com exclusividade para quem acompanha o Kultme, a faixa My Youth Is Gone. Enjoy it!

 

Kultme – Dois anos após o disco de estreia, Let’s Talk About Dreams, chega este novo EP Knockout. Pra vocês quais as maiores diferenças entre um trabalho e outro?
Mauricio Bucci – Na verdade a diferença entre um trabalho e outro é de apenas um aninho. Let’s Talk About Dreams veio em 2016, mas como a gente é workaholic, voltamos ao estúdio no começo desse ano e ai que que começam as diferenças. O primeiro álbum foi um catadão de músicas e ideias antigas, até mesmo antes da banda. Ele, também, foi inteiro gravado em um estúdio alugado, com um produtor amigo – André Abreu. Foi uma baita experiência e, mesmo tendo músicas muito diferentes uma das outras, o resultado foi bárbaro.

Eita, é mesmo. Por que será que a gente empurrou um ano pra trás? Bom, mas então um ponto de diferença está no conjunto da obra – o novo disco, que a gente teve o privilégio de ouvir antes, é bastante coeso.
É, no EP Knockout fica claro o amadurecimento da banda. Mais coeso com o processo de composição. Acho que uma coisa natural mesmo. Ah, e nesse meio tempo montamos um estúdio e gravamos tudo lá. Finalizamos nos Estados Unidos. Mix em Nova York e Master em Los Angeles, com dois monstros da música. Mauricio Cesorsimo na mix e Brian Lucey na master (esse último ganhador de vários Grammys). Ou seja, a gente acredita muito nesse novo trabalho.

O resultado demonstra que valeu o investimento. Falando em grana, o nome do primeiro álbum é sintomático, lembrando que vocês usaram todo o tipo de fonte maluca de renda pra bancar a produção – festas, hambúrgueres e coisas assim.
Verdade, foi tudo isso mesmo que financiou o nosso primeiro sonho.

Hoje a questão financeira pega forte?
Não, essa não é a maior dificuldade – isso a gente consegue arrumar de um jeito ou de outro. A parte que pega é o tempo. Ainda não vivemos integralmente para a música. Queremos ler isso daqui a um tempo e ver que todos já estão vivendo do Out of the Blue. Então é tempo de poder fazer uma mini tour de quarta a domingo. Temos o mercado e as casas de shows, mas ainda não temos o tempo (risos). Mas isso também pode mudar.

Se no primeiro disco o foco estava em falar sobre sonhos, qual é a grande conversa deste novo trabalho?
A conversa principal do novo trabalho é: precisamos ser melhores do que somos. Como ser humano, não como banda. O ser humano tá perdido no meio de toda essa bagunça. O mundo é um lugar excelente, algumas pessoas é que ferram isso. O papo é direto e reto. Vamos pro Knockout contra todo tipo de preconceito. Precisamos ser mais ousados e mudar o mundo e não deixar pessoas destruírem o nosso presente e futuro. Impedir que destruam nosso futuro. Mas isso é questão de base, educação. Aí o papo vai longe…

A faixa The Trigger, que ganhou clipe, vai nessa direção: é um libelo antiarmamentista mas, também, antipolítico. Vocês defendem algo próximo ao niilismo com ela?
Cara, a ideia é apenas mostrar que as coisas não estão certas. Estamos invertendo os valores das coisas. Pessoas estão puxando o gatilho por suas religiões. Políticos estão roubando e matando ainda mais. E fazem isso com uma soberba e costa quente – tem pessoas/organizações maiores financiando isso. Não somos contra o estado nem a religião. Somos contra esse pensamento retrógrado de “querermos ser superiores”. Quer conhecer uma pessoa de verdade? Dê poder a ela (creio que seja Maquiavel quem falou isso).

Compor, cantar e gravar em inglês está ajudando de alguma maneira a abrir mercado no exterior?
A ideia de compor e cantar em Inglês foi pela abrangência da língua. Por exemplo, já recebemos mensagens de todo canto do mundo, de alguma pessoa que se identificou com a letra da banda. Teve Líbano, Londres, Nova York, Espanha e tantos outros. Temos muito amigos fora do país e esse é o melhor canal de estar em contato com eles. E sim, está abrindo mercado. Tocamos na Europa em 2016 e estamos planejando outra tour fora.

E já têm agenda de shows de lançamento aqui no Brasil?
Na verdade estamos fechando uma tour grande. Por enquanto temos umas 5 datas. Uma delas é o show de lançamento. Nosso próprio Festival: Blue Summer Festival. Vai rolar dia 26 de agosto, com bandas como Vivendo do Ócio, Bratislava, About a Soul e nossos conterrâneos DSTN. Vai ser foda. Ah e tem mais um com o Far From Alaska, dia 22 de setembro.

Tudo bem que isso vocês já cansaram de responder, mas de onde vem o nome do grupo? Do azul do céu do interiorzão paulista, da velha canção homônima do Roxy Music, da tradução literal da expressão (algo “inesperado, fora de qualquer expectativa”) ou NDA?
Falar disso nunca é cansativo. A ideia vem do inesperado, fora de qualquer expectativa. A banda começou assim, do nada, num bar bebendo cerveja e dizendo: precisamos montar uma banda. E a primeira vez que ouvimos essa expressão foi no seriado Breaking Bad – Walter White dizia muito isso.

 

 

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