5 questões para as mentes por trás de Foxxxy Mulder - Kultme

5 questões para as mentes por trás de Foxxxy Mulder

As mentes por trás do Foxxxy Mulder

As mentes por trás do Foxxxy Mulder

 

Por Diego de Oliveira*

Tenho um amigo peruano radicado nos Estados Unidos (o grande Victor Sevillano) que possui um grande talento de descobrir novas bandas extremamente talentosas e criativas. Como o cara é muito generoso, ele sempre compartilha as suas descobertas com os amigos via facebook. Não lembro se Foxxxy Mulder foi uma de suas dicas, mas quando ouvi pela primeira vez o cover que eles haviam criado para “Eyes Without a Face” do Billy idol (uma reinvenção maravilhosa da canção original que já é fantástica, perfeita para os fãs de shoegaze, dreampop ou darkwave), eu me tornei fã. Daí foi um pulo para convidá-los a participar da primeira coletânea da Paranoia Musique e, agora, fazer uma entrevista com David Kumler & Kori Hensell, as mentes por trás do grupo.

1-ktReza a lenda que o clube favorito dos integrantes do Duran Duran era o Barbarella em Birmingham e eles escolheram o nome do vilão do filme dos anos 60 em homenagem a ele. Eu sei que é uma forma terrível de começar uma entrevista (e me desculpo por isso), mas como um fã do Arquivo X eu preciso perguntar: Foxxxy Mulder? Alguma história por trás do nome ou apenas soa cool?

David: Eu acho que basicamente nós gostamos como o nome soa. Nós somos grandes fãs do Arquivo X, mas o nome não surgiu até que começássemos a fazer música. Nosso primeiro lançamento foi um cover do Billy Idol que decidimos gravar apenas por diversão. Nós nunca havíamos feito música juntos antes disso e nunca nos pensamos como “banda” naquele momento. De qualquer forma, nós tínhamos o trabalho pronto para ser lançado, mas nos tocamos de que precisávamos de um nome para o lançamento. Então, no último minuto, nós escolhemos Foxxxy Mulder.

Kori: Além disso, Mulder realmente é “foxy” (gíria gringa para sexy) quando o olhamos de uma certa forma. Trata-se da estética – aquele estética olhar-sedutor-para-a-câmera do David Duchovny. Ele é insaciável.

2-ktLi no site “Indie Underground” que o Foxxxy Mulder começou quando Kori estava visitando o David em Seattle e vocês decidiram ouvir um single 45 rotações de “Eyes Without A Face” do Billy Idol em 33 rotações, o que resultou na primeira música da banda. Contem um pouco mais dessa história.

Kori: Nossa história é parte destino, parte coincidência. Minha história com David e sua companheira Lizzie é antiga, tornando-me grande amiga deles em Tuscaloosa (Alabama) anos atrás. Em Tuscaloosa, era uma rotina durante os finais de semana beber cerveja, ligarmos nossos amplificadores e improvisarmos sons estranhos e abrasivos no porão de algum amigo com qualquer um que quisesse abusar de um baixo e gritar loucamente em um microfone. No verão passado, eu estava em Seattle para uma consulta médica e visitando David e Lizzie, uma noite fatídica com muitos Bagel Bites e outras substâncias que alteram a mente, nós tocamos vários 7 polegadas reduzindo a velocidade para 33 rotações: Billy Idol, The Beach Boys, Morrissey etc. Naquela noite, nos resolvemos naquela apreciação por música torta e distorcida, o que nos levou ao desenvolvimento de nosso projeto de um EP para o verão. Eu acho que ambos estavam com aquela vontade de voltar a produzir música de uma forma oficial de novo, e nossos gostos pelo mesmo tipo de música caíram bem no projeto. “Eyes Without A Face” me assombrou por anos e ouvi-la em 33 rotações naquela singular festa “drone” fez florescer algo dark e enevoado – primeiro fizemos o cover e Premarital Hex veio logo após.

David: E falando nisso, “Don’t Worry Baby” dos Beach Boys soa completamente surreal em 33 rotações. Assim como qualquer coisa New Wave. Experimentem.

3-ktPremarital Hex foi lançado a poucos meses (final de junho, não é isso?) e posso dizer que é um belo mix de texturas obscuras com guitarras distorcidas. Por sua vez, os vídeos usados para promover o EP usam trechos de vários filmes antigos de terror (“O Parque Macabro” é um deles) para corroborar essa imagem. Quais foram as influências para criar o álbum e como foi o processo de gravação?

David: Bem, quando lançamos “Eyes Without A Face”, não estávamos realmente planejando muito depois disso, mas recebemos muito feedback positivo e nos divertimos muito fazendo música juntos, então pensamos, porque não continuar? Eu já havia começado um projeto chamado “Night Terrors”, coisas de uns 8 anos atrás, e eu sempre tive vontade de retornar com ele (com alguma pesquisa é possível achar algumas das primeiras gravações). A ideia era compor várias canções shoegaze sobre vampiros e fantasmas e monstros e outras coisas similares. Nós realmente estamos nessa de filmes de terror, então perguntei a Kori se ela queria gravar um disco, o que ela queria, e então começamos a trabalhar. Nosso plano inicial era lançar tudo no Halloween, mas nos tocamos rapidamente que não seria possível. Liricamente, tudo no disco é inspirado por filmes de horror de uma forma ou de outra. “Dark Creeper” foi inspirado por Stranger Things; “Burial” possui imagens de “O Morro dos Ventos Uivantes” (você sabe, a cena que Heathcliff cava a cova de Catherine); “Tonight” é sobre o zumbi apocalipse e por aí vai. Pelo lado musical, Eu fui fortemente influenciado pelos Raveonettes. Essa influência é provavelmente mais óbvia em “Bloodlet and Chill”. Mas eu ouço também bastante Zola Jesus, Julee Cruise, John Maus, Grave Babies, Swans. Em relação aos vídeos, o meu objetivo era recontar algumas dessas histórias de horror, as rearranjando e as abrindo para novas interpretações.

O processo de gravação foi muito diferente de tudo que já havia feito. Kori mora no Alaska e eu em Seattle, nós não tínhamos como fazer isso pessoalmente. Então eu gravava algo e mandava par Kori, ela adicionava coisas, fazia revisões, mandava de volta, etc. E basicamente ficamos nesse vai e volta por alguns meses. Nós temos um documento no Google muito longo onde dividimos notas sobre cada música. Pensando agora sobre isso, eu não creio que tenhamos nos falado (tipo, usando nossas vozes) em todo o processo de gravação. Tudo foi feito por e-mail ou documentos do Google. E é meio divertido dessa maneira. Toda vez que eu abria uma das gravações ou revisões da Kori, eu estava vivendo essas músicas de uma nova e inesperada forma.

4-ktAlgum plano para a turnê? Alguma chance de vermos Foxxxy Mulder nos palcos num futuro próximo?

Kori: Eu espero que sim! Não temos muita chance de nos vermos pessoalmente (a próxima visita está marcado para dezembro), então a logística para isso é bem desafiadora. Mas eu estou louca para ver o FM nos palcos. No momento, sou apenas eu no meu Union Suit (uma roupa de baixo de corpo inteiro usado nos Estados Unidos) gravando e regravando faixas no meu MacBook para enviar ao David. Isso funciona conosco porque não tem pressão. Ambos temos nossos empreendimentos fora da música que nós nos dedicamos, então essa ida-e-volta é bastante fácil. Eu estou aprendendo Teremim e gostaria realmente que soasse bem ao vivo e uma turnê seria um momento ideal para aprender presença de palco. Eu estaria mentindo se disser que não pratico em frente ao espelho. Ah fama – sempre a tentadora.

David: Eu adoraria tocar ao vivo se nossas vidas vierem a nos permitir. Eu costumava tocar bastante em bandas de hardcore e realmente sinto falta da energia e excitação de tocar ao vivo. Vamos ver o que acontece. Dedos cruzados.

5-ktO que podemos esperar de Foxxxy Mulder no futuro?

David: A verdade sobre vida extraterrestre para começar. Depois disso, eu imagino que nós revelaremos ao menos algumas conspirações governamentais. Na verdade, nós já gravamos grande parte do nosso próximo álbum e mal posso esperar para compartilhar alguma coisa dele. Estamos realmente nos movendo em novas direções com esse novo trabalho. O nosso amor pela estética de filmes de horror não irá embora, mas ele deve ficar no banco de trás nesse novo trabalho. As músicas soam muito mais esparsas e sonhadoras do que no último disco. Estou sendo fortemente influenciado por “Beat Tape #1” do J. Faraday, “The End Of All Things” do Tropic of Cancer e por “Fixion” do Trentemøller, isso já deve te dar uma ideia. Veremos como tudo se assenta. Eu espero lançar algo já no próximo verão.

Kori: Eu realmente gostaria de criar um vídeo elaborado com o David. Nós temos um olhar para coisas videográficas e esquemas de cores, então colocar nossos talentos à prova com um vídeo planejado que gravaríamos e produziríamos. Nós já fizemos notas de alguns vídeos que gostamos e executaremos em algum momento hipotético e que eu sei deixariam nosso público de boca aberta. Nós só precisamos estar no mesmo local ao mesmo tempo. Talvez seja a hora de mudar para Seattle, não?

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Clipes de In the Shadows

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