Origens do synthwave marcam estreia em álbum da Deathray Bam! - Kultme

Origens do synthwave marcam estreia em álbum da Deathray Bam!

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Foca Rodrigues, o Deathray Bam em si: oitentista na essência

Aos 29 anos, o compositor e multi-instrumentista Foca Rodrigues vem cuidando dos desdobramentos do lançamento de seu primeiro álbum, Blackk Mirror. O nome da banda que assina a criação é Deathray Bam!, mas a partir daí o terreno fica tão movediço quanto a definição do estilo musical por ela seguido. No caso do estilo, é synthpop com pegada rock e gótico, o que já por si supõe uma bela distância entre um ponto e outro. Mas a questão mais movediça é a da “banda”, assim entre aspas, porque sequer Foca Rodrigues tem certeza de se tratar de um grupo. Confuso sim, mas tem uma razão: Deathray Bam! é uma banda de um homem só. Nela, Foca compõe, canta e produz, além de tocar os instrumentos, com raras exceções. “Banda soa estranho, não acha?”, se diverte o músico.Banda ou não, o trabalho do músico gaúcho, que atualmente mora em Porto Alegre, vem mostrando seus músculos – e uma das canções do álbum será trilha de um curta de terror produzido no Canadá. É o que Foca Rodrigues conta na entrevista a seguir.

 

Afinal de contas, o que é a Deathray Bam!?
Essa é a grande questão. Antes eu costumava a chamar de “projeto”, mas essa palavra dá um tom de se tratar de algo com começo e fim. E, bom, não estou pensando em fim de nada. Então não sei muito bem como definir, até porque trabalho sozinho e, nesse sentido, banda soa estranho também, não acha?

 

Parece ser uma banda de um homem só. No álbum Blackk Mirror, onde você participou?
Eu compus, cantei, produzi, mixei e masterizei todo o disco, com exceção das músicas A Spell On You – na qual a guitarra foi gravada pelo Midnight Danger na Suécia – Illusions Bar, com letra e voz do Clô Solo, registrada em Guaíba e Porto Alegre.

 

De onde vem sua característica multi-instrumental?
Vem de longe. Sempre fui muito ligado a música. Lembro de ter oito anos de idade e assistir clipes de Ramones, Skid Row e Iron Maiden, de ouvir Guns e outras bandas em vinis e fitas K7 do meu irmão. Desde então acho que a cultura dos anos 80 e 90 foi me impregnando. Sou viciado nela – desde programas de tevê até filmes e música.

 

Mas isso não explica a questão dos instrumentos.
Verdade. Explica minha opção estética. O lance instrumental vem daí, naturalmente, mas por caminhos que foram se cruzando. Desde cedo me aventurei pelos instrumentos, de guitarras e baterias a teclados, e sempre quis ter uma banda. Montei algumas, mas nenhuma foi realmente pra frente até que, em 2015, um amigo, o Chris Young, me apresentou alguns projetos que vinham fazendo revivals dos anos 80. Eram projetos com pegada oitentista tanto em sonoridade como estética e, detalhe, todos feitos de forma eletrônica e na maioria como projetos de um homem só.

 

Deve ter sido revelador.
Foi sim. Como já tinha tido problemas com bandas e na época vinha trabalhando um projeto solo voltado ao TradGoth chamado Hevioso, a ideia me soou perfeita. Passei a estudar produção musical mais a fundo e fui lançando minhas primeiras músicas acompanhando a evolução da minha técnica.

 

Já usando o nome da banda?
Isso, já usando Deathray Bam!.

 

E as influências seguiram o que você ouvia quando criança? Ramones e tal?
Não exatamente. Meu foco já estava em artistas mais atuais de synthwave.

 

Como chegou ao álbum?
Ao longo do tempo fui lançando singles que, por fim, compilei em dois EPs. O primeiro deles chama After Decades of Silence e, depois, veio o Deathray Bam! EP. Acho que me senti pronto a me aventurar por um álbum completo em 2016, ao ser convidado para participar da Coletânea Brazilian Synthwave: Savage Streets, lançado pela página Retro Attack.
O álbum tem certa pegada anos 80. Intencional?
Foi sim. Ao trabalhar no disco, foquei no Synthpop e New Wave dos anos 80, e busquei fazer uma mescla harmônica com minhas influências do Gótico e do Hard Rock. São nove músicas originais que nasceram desse movimento. Mas também contei com duas participações especiais pra além de importantes: o solo de guitarra em A Spell On You e o remix de Blackk Mirror por Midnight Danger, projeto do Chris Young na Suécia, e os vocais e letras de Clô Solo em Illusions Bar.

 

Além de seu “vício” nos 80, o viés escolhido teve outros motivos?
Teve um: optei desde o início por resgatar as origens do synthwave. Então fui beber direto na fonte, e a fonte é oitentista.

 

Como vem sendo a recepção do público?
Muito bom. O retorno tem algo de curioso também, mas que se explica. Como o álbum tem uma pegada um pouco mais sombria e roupagem um pouco diferente da dos EPs, tenho despertado interesse do público gótico e synthpop. Acho que meu estilo no vocal também me deixou um tanto obscuro em algumas músicas, o que colabora com a percepção desses públicos.

 

E o que vem pela frente?
Agora estou me preparando para começar as apresentações ao vivo, um trabalho difícil, pois terei que achar um formato que fique interessante para o publico já que estarei sozinho no palco, e claro o trabalho árduo de achar casas e eventos interessados em mostrar algo fora da curva para seu publico. Outra novidade é que para o segundo semestre irá rolar uma música inspirada no seriado Stranger Things da Netflix que será lançada em uma coletânea tributo ao seriado que contará com vários outros artistas.

 

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