Rota NSCR – Um brinde multicolorido a Oslo (e muito mais)

Raquel Jorge está desde 7 de junho de 2015 pedalando na Europa para cobrir, em 4 meses, 7 mil km. Ela faz uma versão aumentada da NCSR, maior rota ciclística do mundo. O percurso na North Sea Cycle Route, que atravessa 8 países, pode ser acompanhado aqui em vídeos & artigos enviados por Raquel direto de sua bike na NCSR. 

NSCR 2015 – Diário de Bordo – Um post a Oslo (e muito mais) 

Por Raquel Jorge

Estou devendo um post sobre Oslo.

Ainda é cedo, ainda estou digerindo tudo que vi, aprendi e vivi nesses dois dias que passei aqui.

Foram apenas dois dias, mas foram intensos e eu poderia passar outros tantos falando sobre isso.​​

Da arte à libertação
Do fluxo ao ritmo​​
Da dinâmica à vibração

Das cores às pontes
Dos barcos às escadarias
Das casas aos restaurantes

Das crianças à logística
De Brygga à Kristiania
Dos faróis ao cais

Às vezes tenho a sensação de que estou vivendo no futuro. Ainda tá tudo bagunçado aqui dentro. Preciso colocar ordem nesse barraco de emoções e sensações.
Estou em estado de graça, flutuando no ar entre o velho, o novo e o que quer que seja que fica entre os dois.

Mas tenho certeza que uma hora este texto, digno desta cidade, sai.

Por todas as cores e todos os amores
Pretendia escrever sobre minha viagem até Oslo, a emoção de chegar em um lugar que eu apenas imaginei por tantos anos.

Mas há um assunto muito mais importante para ser mencionado. Mais que isso, para ser celebrado. Algo que aconteceu que me deixou muito, muito feliz. Não aconteceu comigo exclusivamente, aconteceu com a humanidade. Mais um pequeno avanço em direção à luz!

Pequeno, porém, fundamental para nossa evolução. Não foi nada como a invenção da roda. Mas foi perceber que a roda deve ser livre para poder escolher qual o caminho que quer seguir. Um passo em direção ao direito de amar, querer, desejar. Ao direito de ser quem se é. Puro e simplesmente.

amores

São mudanças como esta que vão desenhando a evolução humana. Um momento único em que me sinto invadida por ondas de esperança. Com fé de que estamos caminhando para um mundo melhor. Ainda que existam tantas diferenças, tanta intolerância e ignorância (que presenciamos o tempo todo), ainda assim, vejo uma luz linda e colorida no fim do túnel!

Penso em todos os meus queridos amigos, em tudo que passaram (e passam), toda a discriminação, toda a violência…. não consigo conter as lágrimas, vitoriosos e guerreiros. Fortes e frágeis. Humanos.

Não sei se é coincidência, mas cheguei em uma cidade toda colorida, enfeitada com as cores do arco-íris. Até os trams que passam trazem nos seus retrovisores bandeirinhas coloridas! A felicidade e os sorrisos estão por todas as partes.

Hoje é um dia para ser celebrado. Porque toda forma de amor vale a pena. E todo amor é sagrado!

Flores e Mar
Ainda pela route no.1, sol, chuva, sol, chuva. Assim foram os 42km que percorri hoje. Sair e chegar das cidades é sempre dramático, tenho que confiar nas placas, no instinto e no senso de direção. E quando nada disso dá certo apelo para o bom e velho: “moço, onde fica?”

Saindo de Kristiansand me deparei com uma encruzilhada. Literalmente. Nenhuma placa. Nada. Esperei. Até que avistei um senhor de bike que aparentava uns 70 anos, boina e jaleco (isso mesmo, não era jaqueta nem casaco, jaleco mesmo). Perguntei qual o caminho para o leste. Ele disse: me siga. Segui.

Menos de 1km depois ele comentou: Você vai devagar né? …. humilhação master. Apenas sorri e concordei. Um pouco a frente ele me mostrou para onde eu deveria seguir e nos despedimos.

Lá estava eu, de volta a rota no.1. Nada por aqui é plano. Ou você sobe ou você desce. E sim, é maravilhoso estar na rota e poder contornar os vários túneis, mas isso significa que se o google map diz 30km, pela ciclovia é pelo menos 45km. Não vou reclamar, ao menos consegui fazer o trajeto sem ter que entrar em um ônibus.

Logo depois que saí de Kristiansand passei por uma cidadezinha estranha, era basicamente uma cidade de concessionárias. Imensas, uma do lado da outra, com um shopping no meio de tudo. Não entendi nada. Segui em frente, com o olhar sempre em busca da plaquinha bordô, com a bike desenhada. Me apeguei a ela de um jeito inexplicável.

Depois desse lugar esquisito a coisa melhorou. Entrei por umas estradinhas maravilhosas, nunca vi caminho mais florido. Mas veio chuva forte, coloquei minha jaqueta impermeável, mas a calça deu preguiça, estava no alforje e eu resolvi seguir em frente.

Estava vestindo minha calça de lycra da Nike e né por nada não, mas depois que a chuva passou e veio o sol, em 10 minutos ela já estava seca. Simplesmente amo a tecnologia avançada dessas roupas de esporte. Parece bobagem, mas quando você mais precisa elas respondem, e isso vale cada centavo gasto, mesmo que tenham sido muitos centavos!

Depois de 20km parei para beber água, comer uma barrinha e fazer xixi. Não era bem moita, era atrás de uma pedra na verdade. Fiquei tão perto dela para não ser vista que na hora de levantar ralei o traseiro. Segunda humilhação do dia. Acho que ninguém viu. Meno male!

Daí cheguei em mais uma cidadezinha que chega a irritar de tão linda e perfeita e colorida e fofa. Até o nome é bunitinho: Lillesand. Aqui concluí mais uma coisa sobre a Noruega. Ter carro não é nada. O negócio aqui é ter barco. Deve ser a maior concentração de barco per capita do mundo.

Cheguei, achei uma hospedaria que parece pertencer ao século retrasado de tão querida e vintage. Tomei banho, lavei roupa e sai para passear. Conhecer este cantinho escondido, sem turistas, sem navios, e por isso mais barato, mais lindo. Mesmo que os butecos não tenham cardápio em inglês – daí eu falo: escolhe pra mim!

Agora assisto um entardecer colorido, calmo, belo. Gaivotas que vão pra lá e pra cá sobre os tantos barcos ancorados na marina do vilarejo. Famílias chegando depois de um dia sobre a água. E lá no horizonte, o Mar do Norte.

MAR

Acompanhe em NSCR 2015, aqui no Kultme, novos vídeos, fotos e relatos de Raquel direto da Rota do Norte.

A aventura continua no Kultme
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