Download: Atonalismo & outras viagens em 'Lofi em Mono', novo disco de Raf Guimarães - Kultme

Download: Atonalismo & outras viagens em ‘Lofi em Mono’, novo disco de Raf Guimarães

a3682393800_10O compositor Raf Guimarães, que responde por pelo menos metade da banda Amigas de Plástico — a outra pelo menos metade é de Diego Mode –, dá sequência nesse início de setembro a um projeto solo, que vem levando em frente há meses, com o lançamento do álbum Lofi em Mono. O disco, que por sinal você já pode baixar em link direto logo abaixo, deveria ser, na definição de Raf, “uma experiência crua de música”. Embora essa ideia tenha lugar nas texturas das sete faixas do trabalho, o que mais chama a atenção é justo o contrário: há no álbum algo que brinca com o atonal e, no limite, com os experimentos do futurismo italiano e outras viagens mais. É o que Raf conta na entrevista a seguir, concedida desde seus laboratórios musicais no Rio, ao leitor do Kultme. Enjoy – e baixe o disco.

KT – O ano de 2014 tem sido bem produtivo para você e as Amigas de Plástico, mas sendo o principal compositor do projeto, alguma coisa particular o motivou a realizar este trabalho solo ao invés de incorporá-lo ao catálogo da ADP?
RG – Na verdade eu já tinha essa ideia há alguns anos…de gravar um álbum completo explorando texturas, utilizando somente uma guitarra e um amplificador. A ideia original, na época, era criar um álbum instrumental, aliás. Quando resolvi levar esse projeto adiante, no meio do ano, estávamos em um período complicado na ADP; tínhamos abortado as gravações do que seria o álbum novo e a ideia do que seria a série dos singles mensais ainda estava se estruturando. Realizar um trabalho solo, sem me esconder por trás de pseudônimo ou de um novo “projeto” foi, de certa forma, um retorno a um tipo de instinto primitivo puro…uma forma de colocar novamente as ideias no lugar. Mas eu vejo, particularmente, tudo como um só catálogo.

De certa forma foi um retorno à sonoridade do “Tschuess” (1º álbum da ADP) também, correto?
Sim, de certa forma sim…muitas das técnicas de gravação que eu usei no “Tschuess”, foram usadas no “Lofi…”: muita coisa foi gravada no primeiro take, o fato de não haver edição nenhuma, a gravação em rolo…

…mas tecnicamente o “Tschuess” também é quase um álbum solo.
Simsim, mas a proposta era outra…

É, o “Lofi em Mono” é bem diferente, mas é a mesma coisa. Ou melhor: uma ramificação da coisa. Ainda é muito forte a presença de influências do drone, o experimentalismo atonal…existe uma citação à Salomé de Strauss ou isso foi coisa do inconsciente coletivo?
Uhahuauhauha…é bem isso! Siiiiiiiim! Muito legal que você notou! Existem todas essas influências e referências mesmo, sem esquecer do futurismo italiano, que era um assunto no qual eu estava totalmente imerso durante o inicio das gravações. Dentro do trabalho da ADP eu sempre pensei em trabalhar com formas do avant-garde em músicas que não fossem TÃO inacessíveis ao público “não-iniciado”…

...mas agora você deu um passo na direção contrária, não?
Talvez, mas não foi a intenção.

Qual era a intenção?
A intenção era criar um registro que, em termos de essência, se aproximasse de uma música primitiva… como o mais próximo possivel dos primeiros bluesmen no delta do mississippi, com uma guitarra elétrica…mas não em termos de estética, e sim como experiência crua da música.

É isso que você fala sobre a “inversão do lofi” ?
QUASE. A inversão do lofi é um questionamento sobre os métodos de gravação atuais, onde se manipula basicamente toda a performance. Você tem que pensar a partir do indivíduo que está escutando a obra. Para o público, em uma apresentação ao vivo, o artista toca uma representação do que está gravado; mas o que está no fonograma NÃO É uma representação real de nada. É um trabalho de arquitetura e engenharia, muito mais do que composição e performance. E esta é a inversão: quanto mais “lofi” for a gravação como um todo, mais fiel ela será como representação… é como um retorno à gravação no cilindro de cera, mas com uma tecnologia melhor. Ehehhe

E por que em Mono?
Egocentrismo srrsrsrsrsrs. Uma vez eu estava pensando sobre como o mix Stereo deixava grande da responsabilidade do áudio em controle do ouvinte… e comecei a pensar sobre vários casos de pessoas que simplesmente colocam suas caixas de som nas piores posições possiveis… srrsrsrsrs! Em Mono, o controle é absoluto do próprio mix. Mas no final acho que é uma questão de fetiche, afinal a grande maioria das pessoas escuta tudo absurdamente comprimido em mp3 players com fones duvidosos srrsrsrsrsrsrs.

Baixe o Disco 

Download Lofi em Mono

PS – Fale com o Raf em https://www.facebook.com/raf.guim

 

 

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